Behaviorismo
O ESTUDO DO
COMPORTAMENTO
O termo Behaviorismo foi inaugurado
pelo americano John B.
Watson, em artigo publicado em 1913,
que apresentava o título
“Psicologia: como os behavioristas a
vêem”. O termo inglês behavior
significa “comportamento”; por isso,
para denominar essa tendência
teórica, usamos Behaviorismo — e,
também, Comportamentalismo,
Teoria Comportamental, Análise
Experimental do Comportamento,
Análise do Comportamento.
Watson, postulando o comportamento como objeto da Psicologia,
dava
a esta ciência a consistência que os psicólogos da época vinham
buscando
— um objeto observável, mensurável, cujos experimentos
poderiam
ser reproduzidos em diferentes condições e sujeitos. Essas
características
foram importantes para que a Psicologia alcançasse o
status de
ciência, rompendo definitivamente com a sua tradição filosófica.
Watson também defendia uma perspectiva
funcionalista para a
Psicologia, isto é, o comportamento
deveria ser estudado como função
de certas variáveis do meio. Certos
estímulos levam o organismo a dar
determinadas respostas e isso ocorre
porque os organismos se ajustam
aos seus ambientes por meio de
equipamentos hereditários e pela
formação de hábitos. Watson buscava a
construção de uma Psicologia
sem alma e sem mente, livre de
conceitos mentalistas e de métodos
subjetivos, e que tivesse a capacidade
de prever e controlar.
Apesar de colocar o “comportamento”
como objeto da Psicologia, o
Behaviorismo foi, desde Watson,
modificando o sentido desse termo.
Hoje, não se entende comportamento
como uma [pg. 45] ação isolada
de um sujeito, mas, sim, como uma
interação entre aquilo que o sujeito
faz e o ambiente onde o seu “fazer”
acontece. Portanto, o Behaviorismo
dedica-se ao estudo das interações
entre o indivíduo e o ambiente, entre
as ações do indivíduo (suas respostas)
e o ambiente (as estimulações).
Os psicólogos desta abordagem chegaram
aos termos “resposta” e
“estímulo” para se referirem àquilo
que o organismo faz e às variáveis
ambientais que interagem com o
sujeito. Para explicar a adoção desses
termos, duas razões podem ser
apontadas: uma metodológica e outra
histórica.
A razão metodológica deve-se ao
fato de que os analistas
experimentais do comportamento
tomaram, como modo preferencial de
investigação, um método experimental e
analítico.
Com isso, os experimentadores sentiram
a necessidade de dividir
o objeto para efeito de investigação,
chegando a unidades de análise.
A razão histórica refere-se aos
termos escolhidos e
popularizados, que foram mantidos
posteriormente por outros estudiosos
do comportamento, devido ao seu uso
generalizado.
Comportamento, entendido como
interação indivíduo-ambiente, é a
unidade básica de descrição e o ponto
de partida para uma ciência do
comportamento. O homem começa a ser
estudado a partir de sua
interação com o ambiente, sendo tomado
como produto e produtor
dessas interações.
A ANÁLISE
EXPERIMENTAL DO COMPORTAMENTO
O mais importante dos behavioristas
que sucedem Watson é B. F.
Skinner (1904-1990).
O Behaviorismo de Skinner tem
influenciado muitos psicólogos
americanos e de vários países onde a
Psicologia americana tem grande
penetração, como o Brasil. Esta linha
de estudo ficou conhecida por
Behaviorismo radical, termo cunhado
pelo próprio Skinner, em 1945,
para designar uma filosofia da Ciência
do Comportamento (que ele se
propôs defender) por meio da análise
experimental do comportamento.
A base da corrente skinneriana está na
formulação do
comportamento
operante. Para
desenvolver este conceito,
retrocederemos um pouco na história do
Behaviorismo, introduzindo as
noções de comportamento reflexo ou
respondente, para então
chegarmos ao comportamento operante.
Vamos lá. [pg. 46]
O COMPORTAMENTO
RESPONDENTE
O comportamento reflexo ou
respondente é o que usualmente chamamos
de “não-voluntário” e inclui as
respostas que
são eliciadas (“produzidas”) por
estímulos
antecedentes do ambiente. Como
exemplo,
podemos citar a contração das pupilas
quando uma luz forte incide sobre
os olhos, a salivação provocada por
uma gota de limão colocada na
ponta da língua, o arrepio da pele
quando um ar frio nos atinge, as
famosas “lágrimas de cebola” etc.
Esses comportamentos reflexos ou
respondentes são interações
estímulo-resposta (ambiente-sujeito)
incondicionadas, nas quais certos
eventos ambientais confiavelmente
eliciam certas respostas do
organismo que independem de
“aprendizagem”. Mas interações desse
tipo também podem ser provocadas por
estímulos que, originalmente,
não eliciavam respostas em determinado
organismo. Quando tais
estímulos são temporalmente pareados
com estímulos eliciadores
podem, em certas condições, eliciar
respostas semelhantes às destes. A
essas novas interações chamamos também
de reflexos, que agora são
condicionados devido a uma história de
pareamento, o qual levou o
organismo a responder a estímulos que
antes não respondia. Para deixar
isso mais claro, vamos a um exemplo:
suponha que, numa sala
aquecida, sua mão direita seja
mergulhada numa vasilha de água
gelada. A temperatura da mão cairá
rapidamente devido ao encolhimento
ou constrição dos vasos sangüíneos,
caracterizando o comportamento
como respondente. Esse comportamento
será acompanhado de uma
modificação semelhante, e mais
facilmente mensurável, na mão
esquerda, onde a constrição vascular
também será induzida. Suponha,
agora, que a sua mão direita seja
mergulhada na água gelada um certo
número de vezes, em intervalos de três
ou quatro minutos, e que você
ouça uma campainha pouco antes de cada
imersão. Lá pelo vigésimo
pareamento do som da campainha com a
água fria, a mudança de
temperatura nas mãos poderá ser
eliciada apenas pelo som, isto é, sem
necessidade de imergir uma das mãos2.
Neste exemplo de condicionamento
respondente, a queda da
temperatura da mão, eliciada pela água
fria, é uma resposta
incondicionada, enquanto a queda da
temperatura, eliciada pelo som, é
uma resposta condicionada (aprendida):
a água é um estímulo
incondicionado, e o som, um estímulo
condicionado. [pg. 47]
No início dos anos 30, na Universidade
de Harvard (Estados
Unidos), Skinner começou o estudo do
comportamento justamente pelo
comportamento respondente, que se
tornara a unidade básica de
análise, ou seja, o fundamento para a
descrição das interações indivíduoambiente.
O desenvolvimento de seu trabalho
levou-o a teorizar sobre
um outro tipo de relação do indivíduo
com seu ambiente, a qual viria a
ser nova unidade de análise de sua
ciência: o comportamento
2 F. S. Keller. Aprendizagem:
teoria do reforço, p. 12-3.
operante. Esse tipo de
comportamento caracteriza a maioria de nossas
interações com o ambiente.
O COMPORTAMENTO
OPERANTE
O comportamento operante abrange um
leque amplo da atividade
humana — dos comportamentos do bebê de
balbuciar, de agarrar
objetos e de olhar os enfeites do
berço aos mais sofisticados,
apresentados pelo adulto. Como nos diz
Keller, o comportamento
operante
“inclui todos
os movimentos de um organismo dos quais se possa dizer que, em
algum momento,
têm efeito sobre ou fazem algo ao mundo em redor. O comportamento
operante opera
sobre o mundo, por assim dizer, quer direta, quer indiretamente”3.
A leitura que você está fazendo
deste livro é um exemplo de
comportamento operante, assim como
escrever uma carta, chamar o táxi com
um gesto de mão, tocar um instrumento
etc.
Para exemplificarmos melhor os
conceitos apresentados até aqui, vamos
relembrar um conhecido experimento
feito com ratos de laboratório. Vale
informar que animais como ratos,
pombos e macacos — para citar alguns
— foram utilizados pelos analistas
experimentais do comportamento
(inclusive Skinner) para verificar como
as variações no ambiente interferiam
nos comportamentos. Tais
experimentos permitiram-lhes fazer
afirmações sobre o que chamaram
de leis comportamentais.
Um ratinho, ao sentir sede em seu habitat,
certamente manifesta
algum comportamento que lhe permita
satisfazer a sua necessidade
orgânica. Esse comportamento foi
aprendido por ele e se mantém pelo
efeito proporcionado: saciar a sede.
Assim, se deixarmos [pg. 48] um
ratinho privado de água durante 24
horas, ele certamente apresentará o
comportamento de beber água no momento
em que tiver sede. Sabendo
disso, os pesquisadores da época
decidiram simular esta situação em
laboratório sob condições especiais de
controle, o que os levou à
formulação de uma lei comportamental.
Um ratinho foi
colocado na “caixa de
Skinner” — um recipiente
fechado no qual
encontrava apenas uma
barra. Esta barra, ao ser
pressionada por ele,
acionava um mecanismo
(camuflado) que lhe
permitia obter uma gotinha
de água, que chegava à caixa por meio
de uma pequena haste.
Que resposta esperava-se do ratinho? —
Que pressionasse a
barra. Como isso ocorreu pela primeira
vez? — Por acaso. Durante a
exploração da caixa, o ratinho
pressionou a barra acidentalmente, o que
lhe trouxe, pela primeira vez, uma
gotinha de água, que, devido à sede,
fora rapidamente consumida. Por ter
obtido água ao encostar na barra
quando sentia sede, constatou-se a
alta probabilidade de que, estando
em situação semelhante, o ratinho a
pressionasse novamente.
Neste caso de comportamento operante,
o que propicia a
aprendizagem dos comportamentos é a
ação do organismo sobre o meio
e o efeito dela resultante — a
satisfação de alguma necessidade, ou
seja, a aprendizagem está na relação
entre uma ação e seu efeito.
Este comportamento operante pode ser
representado da seguinte
maneira: R —► S, em que R
é a resposta (pressionar a barra) e S (do
inglês stimuli) o estímulo
reforçador (a água), que tanto interessa ao
organismo; a flecha significa “levar
a”.
Esse estímulo reforçador é chamado de reforço.
O termo
“estímulo” foi mantido da relação R-S
do comportamento respondente
para designar-lhe a responsabilidade
pela ação, apesar de ela ocorrer
após a manifestação do comportamento.
O comportamento operante
refere-se à interação
sujeito-ambiente. Nessa interação, chama-se de
relação fundamental à relação entre a
ação do indivíduo (a emissão da
resposta) e as conseqüências. É
considerada fundamental porque o
organismo se comporta (emitindo esta
ou [pg. 49] aquela resposta), sua
ação produz uma alteração ambiental
(uma conseqüência) que, por sua
vez, retroage sobre o sujeito,
alterando a probabilidade futura de
ocorrência. Assim, agimos ou operamos
sobre o mundo em função das
conseqüências criadas pela nossa ação.
As conseqüências da resposta
são as variáveis de controle mais
relevantes.
Pense no aprendizado de um
instrumento: nós o tocamos para
ouvir seu som harmonioso. Há outros
exemplos: podemos dançar para
estar próximo do corpo do outro, mexer
com uma garota para receber
seu olhar, abrir uma janela para
entrar a luz etc.
REFORÇAMENTO
Chamamos de reforço a toda
conseqüência que, seguindo uma
resposta, altera a probabilidade
futura de ocorrência dessa resposta.
O reforço pode ser positivo ou
negativo.
O reforço positivo é todo
evento que aumenta a probabilidade
futura da resposta que o produz.
O reforço negativo é todo
evento que aumenta a probabilidade
futura da resposta que o remove ou
atenua.
Assim, poderíamos voltar à nossa
“caixa de Skinner” que, no
experimento anterior, oferecia uma
gota de água ao ratinho sempre que
encostasse na barra. Agora, ao ser
colocado na caixa, ele recebe
choques do assoalho. Após várias
tentativas de evitar os choques, o
ratinho chega à barra e, ao
pressioná-la acidentalmente, os choques
cessam. Com isso, as respostas de
pressão à barra tenderão a aumentar
de freqüência. Chama-se de
reforçamento negativo ao processo de
fortalecimento dessa classe de
respostas (pressão à barra), isto é, a
remoção de um estímulo aversivo
controla a emissão da resposta. É
condicionamento por se tratar de
aprendizagem, e também reforçamento,
porque um comportamento é apresentado
e aumentado em sua
freqüência ao alcançar o efeito
desejado.
O reforçamento positivo oferece alguma
coisa ao organismo (gotas
de água com a pressão da barra, por exemplo);
o negativo permite a
retirada de algo indesejável (os
choques do último exemplo).
Não se pode, a priori, definir
um evento como reforçador. A função
reforçadora de um evento ambiental
qualquer só é definida por sua
função sobre o comportamento do
indivíduo. [pg. 50]
Entretanto, alguns eventos tendem a
ser reforçadores para toda
uma espécie, como, por exemplo, água,
alimento e afeto. Esses são
denominados reforços primários. Os
reforços secundários, ao
contrário, são aqueles que adquiriram
a função quando pareados
temporalmente com os primários. Alguns
destes reforçadores
secundários, quando emparelhados com
muitos outros, tornam-se
reforçadores
generalizados, como
o dinheiro e a aprovação social.
No reforçamento negativo, dois
processos importantes merecem
destaque: a esquiva e a fuga.
A esquiva é um processo no qual
os estímulos aversivos
condicionados e incondicionados estão
separados por um intervalo de
tempo apreciável, permitindo que o
indivíduo execute um comportamento
que previna a ocorrência ou reduza a
magnitude do segundo estímulo.
Você, com certeza, sabe que o raio
(primeiro estímulo) precede à
trovoada (segundo estímulo), que o
chiado precede ao estouro dos
rojões, que o som do “motorzinho”
usado pelo dentista precede à dor no
dente. Estes estímulos são aversivos,
mas os primeiros nos possibilitam
evitar ou reduzir a
magnitude dos
seguintes, ou seja,
tapamos os ouvidos
para evitar o estouro
dos trovões ou
desviamos o rosto da
broca usada pelo
dentista. Por que isso
acontece?
Quando os
estímulos ocorrem nessa ordem, o
primeiro torna-se um reforçador
negativo condicionado (aprendido) e a
ação que o reduz é reforçada pelo
condicionamento operante. As
ocorrências passadas de reforçadores
negativos condicionados são
responsáveis pela probabilidade da
resposta de esquiva.
No processo de esquiva, após o
estímulo condicionado, o indivíduo
apresenta um comportamento que é
reforçado pela necessidade de
reduzir ou evitar o segundo estímulo,
que também é aversivo, ou seja,
após a visão do raio, o indivíduo
manifesta um comportamento (tapar os
ouvidos), que é reforçado pela
necessidade de reduzir o segundo
estímulo (o barulho do trovão) —
igualmente aversivo. [pg. 51]
Outro processo semelhante é o de fuga.
Neste caso, o
comportamento reforçado é aquele que
termina com um estímulo
aversivo já em andamento.
A diferença é sutil. Se posso colocar
as mãos nos ouvidos para
não escutar o estrondo do rojão, este
comportamento é de esquiva, pois
estou evitando o segundo estímulo
antes que ele aconteça. Mas, se os
rojões começam a pipocar e só depois
apresento um comportamento
para evitar o barulho que incomoda,
seja fechando a porta, seja indo
embora ou mesmo tapando os ouvidos,
pode-se falar em fuga. Ambos
reduzem ou evitam os estímulos
aversivos, mas em processos
diferentes. No caso da esquiva, há um
estímulo condicionado que
antecede o estímulo incondicionado e
me possibilita a emissão do
comportamento de esquiva. Uma esquiva
bem-sucedida impede a
ocorrência do estímulo incondicionado.
No caso da fuga, só há um
estímulo aversivo incondicionado que,
quando apresentado, será evitado
pelo comportamento de fuga. Neste
segundo caso, não se evita o
estímulo aversivo, mas se foge dele
depois de iniciado.
EXTINÇÃO
Outros processos foram sendo
formulados pela Análise
Experimental do Comportamento. Um
deles é o da extinção.
A extinção é um procedimento no
qual uma resposta deixa
abruptamente de ser reforçada. Como
conseqüência, a resposta
diminuirá de freqüência e até mesmo
poderá deixar de ser emitida. O
tempo necessário para que a resposta
deixe de ser emitida dependerá
da história e do valor do reforço
envolvido.
Assim, quando uma menina, que
estávamos paquerando, deixa de
nos olhar e passa a nos ignorar,
nossas “investidas” tenderão a
desaparecer.
PUNIÇÃO
A punição é outro procedimento
importante que envolve a
conseqüenciação de uma resposta quando
há apresentação de um
estímulo aversivo ou remoção de um
reforçador positivo presente.
Os dados de pesquisas mostram que a
supressão do
comportamento punido só é definitiva
se a punição for extremamente
intensa, isto porque as razões que
levaram à ação — que se pune — não
são alteradas cora a punição.
Punir ações leva à supressão
temporária da resposta sem,
contudo, alterar a motivação. [pg.
52]
Por causa de resultados como estes, os
behavioristas têm
debatido a validade do procedimento da
punição como forma de reduzir a
freqüência de certas respostas. As
práticas punitivas correntes na
Educação foram questionadas pelo
Behaviorismo — obrigava-se o aluno
a ajoelhar-se no milho, a fazer
inúmeras cópias de um mesmo texto, a
receber “reguadas”, a ficar isolado
etc. Os behavioristas, respaldados por
crítica feita por Skinner e outros
autores, propuseram a substituição
definitiva das práticas punitivas por
procedimentos de instalação de
comportamentos desejáveis. Esse
princípio pode ser aplicado no
cotidiano e em todos os espaços em que
se trabalhe para instalar
comportamentos desejados. O trânsito é
um excelente exemplo. Apesar
das punições aplicadas a motoristas e
pedestres na maior parte das
infrações cometidas no trânsito, tais
punições não os têm motivado a
adotar um comportamento considerado
adequado para o trânsito. Em
vez de adotarem novos comportamentos,
tornaram-se especialistas na
esquiva e na fuga.
CONTROLE DE ESTÍMULOS
Tem sido polêmica a discussão sobre a
natureza ou a extensão do
controle que o ambiente exerce sobre
nós, mas não há como negar que
há algum controle. Assumir a
existência desse controle e estudá-la
permite maior entendimento dos meios
pelos quais os estímulos agem.
Assim, quando a
freqüência ou a forma
da resposta é diferente
sob estímulos
diferentes, diz-se que o
comportamento está
sob o controle de
estímulos. Se o
motorista pára ou
acelera o ônibus no
cruzamento de ruas Discriminação de
estímulos: resposta diferenciada ao verde ou
ao vermelho do semáforo.
onde há semáforo que ora está verde,
ora vermelho, sabemos que o
comportamento de dirigir está sob o
controle de estímulos.
Dois importantes processos devem ser
apresentados:
discriminação e generalização. [pg.
53]
DISCRIMINAÇÃO
Diz-se que se desenvolveu uma discriminação
de estímulos
quando uma resposta se mantém na
presença de um estímulo, mas
sofre certo grau de extinção na
presença de outro. Isto é, um estímulo
adquire a possibilidade de ser conhecido
como discriminativo da situação
reforçadora. Sempre que ele for
apresentado e a resposta emitida,
haverá reforço. Assim, nosso motorista
de ônibus vai parar o veículo
quando o semáforo estiver vermelho, ou
melhor, esperamos que, para
ele, o semáforo vermelho tenha se
tornado um estímulo discriminativo
para a emissão do comportamento de
parar.
Poderíamos refletir, também, sobre o
aprendizado social. Por
exemplo: existem normas e regras de
conduta para festas —
cumprimentar os presentes, ser gentil,
procurar manter diálogo com as
pessoas, agradecer e elogiar a dona da
casa etc. No entanto, as festas
podem ser diferentes: informais ou
pomposas, dependendo de onde, de
como e de quem as organiza. Somos,
então, capazes de discriminar
esses diferentes estímulos e de nos
comportarmos de maneira diferente
em cada situação.
GENERALIZAÇÃO
Na generalização de estímulos, um
estímulo adquire controle
sobre uma resposta devido ao reforço
na presença de um estímulo
similar, mas diferente.
Freqüentemente, a generalização depende de
elementos comuns a dois ou mais
estímulos. Poderíamos aqui brincar
com as cores do semáforo: se fossem
rosa e vermelho, correríamos o
risco dos motoristas acelerarem seus
veículos no semáforo vermelho,
pois poderiam generalizar os estímulos.
Mas isso não acontece com o
verde e com o vermelho, que são cores
muito distintas e, além disso,
estão situadas em extremidades opostas
do semáforo — o vermelho, na
superior, e o verde, na inferior,
permitindo a discriminação dos estímulos.
Na generalização, portanto,
respondemos de forma semelhante a
um conjunto de estímulos percebidos
como semelhantes.
Esse princípio da generalização é
fundamental quando pensamos
na aprendizagem escolar. Nós
aprendemos na escola alguns conceitos
básicos, como fazer contas e escrever.
Graças à generalização,
podemos transferir esses aprendizados
para diferentes situações, como
dar ou receber troco, escrever uma
carta para a namorada distante,
aplicar conceitos da Física para
consertar aparelhos eletrodomésticos
etc.
Na vida cotidiana, também aprendemos a
nos comportar em
diferentes situações sociais, dada a
nossa capacidade de generalização
no aprendizado de regras e normas
sociais. [pg. 54]
BEHAVIORISMO:
SUA APLICAÇÃO
Uma área de aplicação dos conceitos
apresentados tem sido a
Educação (veja capítulo 17). São
conhecidos os métodos de ensino
programado, o controle e a organização
das situações de aprendizagem,
bem como a elaboração de uma
tecnologia de ensino.
Entretanto, outras áreas também têm
recebido a contribuição das
técnicas e conceitos desenvolvidos
pelo Behaviorismo, como a de
treinamento de empresas, a clínica
psicológica, o trabalho educativo de
crianças excepcionais, a publicidade e
outras mais. No Brasil, talvez a
área clínica seja, hoje, a que mais
utiliza os conhecimentos do
Behaviorismo.
Na verdade, a Análise Experimental do
Comportamento pode nos
auxiliar a descrever nossos
comportamentosem qualquer situação,
ajudando-nos a modificá-los.
Gestalt
A PSICOLOGIA DA FORMA
A Psicologia da Gestalt é
uma das tendências teóricas mais
coerentes e coesas da história da
Psicologia. Seus articuladores
preocuparam-se em construir não só uma
teoria consistente, mas
também uma base metodológica forte,
que garantisse a consistência
teórica.
Gestalt é um termo alemão de
difícil tradução. O termo mais
próximo em português seria forma ou
configuração, que não é utilizado,
por não corresponder exatamente ao seu
real significado em Psicologia.
Como já vimos no capítulo 2, no final
do século passado muitos
estudiosos procuravam compreender o
fenômeno psicológico em seus
aspectos naturais (principalmente no
sentido da mensurabilidade). A
Psicofísica estava em voga.
Ernst Mach (1838-1916), físico, e
Christian von Ehrenfels (1859-
1932), filósofo e psicólogo,
desenvolviam uma psicofísica com estudos
sobre as sensações (o dado
psicológico) de espaço-forma e tempo-forma
(o dado físico) e podem ser
considerados como os mais diretos
antecessores da Psicologia da Gestalt.
Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang
Köhler (1887-1967) e Kurt
Koffka (1886-1941), baseados nos
estudos psicofísicos que relacionaram
a forma e sua percepção, construíram a
base de uma teoria
eminentemente psicológica.
Eles iniciaram seus estudos pela
percepção e sensação do
movimento. Os gestaltistas estavam
preocupados em compreender quais
os processos psicológicos envolvidos
na ilusão de ótica, quando o
estímulo físico é percebido pelo
sujeito como uma forma diferente da
que ele tem na realidade. [pg. 59]
É o caso do cinema. Quem já viu uma
fita cinematográfica sabe
que ela é composta de fotogramas
estáticos. O movimento que vemos na
tela é uma ilusão de ótica causada
pela pós-imagem retiniana (a imagem
demora um pouco para se “apagar” em
nossa retina). Como as imagens
vão-se sobrepondo em nossa retina,
temos a sensação de movimento.
Mas o que de fato está na tela é uma
fotografia estática.
A PERCEPÇÃO
A percepção é o ponto de partida e
também um dos temas centrais
dessa teoria. Os experimentos com a
percepção levaram os teóricos da
Gestalt ao questionamento de
um princípio implícito na teoria
behaviorista — que há relação de causa
e efeito entre o estímulo e a
resposta — porque, para os
gestaltistas, entre o estímulo que o meio
fornece e a resposta do indivíduo,
encontra-se o processo de
percepção. O que o indivíduo
percebe e como percebe são dados
importantes para a compreensão do
comportamento humano.
O confronto Gestalt/Behaviorismo
pode ser resumido na posição
que cada uma das teorias assume diante
do objeto da Psicologia — o
comportamento, pois tanto a Gestalt
quanto o Behaviorismo definem a
Psicologia como a ciência que estuda o
comportamento.
O Behaviorismo, dentro de sua
preocupação cora a objetividade,
estuda o comportamento através da
relação estímulo-resposta,
procurando isolar o estímulo que
corresponderia à resposta esperada e
desprezando os conteúdos de
“consciência”, pela impossibilidade de
controlar cientificamente essas
variáveis.
A Gestalt irá criticar essa
abordagem, por considerar que o
comportamento, quando estudado de
maneira isolada de um contexto
mais amplo, pode perder seu
significado (o seu entendimento) para o
psicólogo.
Na visão dos
gestaltistas, o comportamento deveria ser
estudado nos seus
aspectos mais globais, levando em
consideração as
condições que alteram a percepção do estímulo.
Para justificar essa postura, eles se
baseavam na teoria do isomorfismo,
que supunha uma unidade no universo,
onde a parte está sempre
relacionada ao todo.
Quando eu vejo uma parte de um objeto,
ocorre uma tendência à
restauração do equilíbrio da forma, garantindo
o entendimento do que
estou percebendo.
Esse fenômeno da percepção é norteado
pela busca de
fechamento, simetria e regularidade dos
pontos que compõem uma
figura (objeto).
Rudolf Arnheim dá um bom exemplo da
tendência à restauração
do equilíbrio na relação parte-todo:
“De que modo o sentido [pg. 60] da
visão se apodera da forma? Nenhuma
pessoa dotada de um sistema
nervoso perfeito apreende a forma
alinhavando os retalhos da cópia de
suas partes (...) o sentido normal da
visão (...) apreende um padrão
global”1.
1 R Arnheim Arte e percepção
visual: uma psicologia da visão criadora. p.44-7.
Nós percebemos a figura 1 como um
quadrado, e não como uma
figura inclinada ou um perfil (figura
2), apesar de essas últimas também
conterem os quatro pontos. Se forem
acrescentados mais quatro pontos
à figura 1, o padrão mudará, e
perceberemos um círculo (figura 3). Na
figura 4 é possível ver círculos
brancos ou quadrados no centro das
cruzes, mesmo não havendo vestígio dos
seus contornos.
A BOA-FORMA
A Gestalt encontra nesses
fenômenos da percepção as condições
para a compreensão do comportamento
humano. A maneira como
percebemos um determinado estímulo irá
desencadear nosso
comportamento. [pg. 61]
Muitas vezes, os nossos comportamentos
guardam relação estreita
com os estímulos físicos, e outras,
eles são completamente diferentes do
esperado porque “entendemos” o
ambiente de uma maneira diferente da
sua realidade. Quantas vezes já nos
aconteceu de cumprimentarmos a
distância uma pessoa conhecida e, ao
chegarmos mais perto,
depararmos com um atônito
desconhecido. Um “erro” de percepção nos
levou ao comportamento de cumprimentar
o desconhecido. Ora, ocorre
que, no momento em que confundimos a
pessoa, estávamos “de fato”
cumprimentando nosso amigo. Esta
pequena confusão demonstra que a
nossa percepção do estímulo (a pessoa
desconhecida) naquelas
condições ambientais dadas é
mediatizada pela forma como
interpretamos o conteúdo percebido.
Se nos elementos
percebidos não há equilíbrio,
simetria, estabilidade e
simplicidade, não alcançaremos
a boa-forma.
O elemento que
objetivamos compreender deve ser
apresentado em aspectos básicos,
que permitam a sua decodificação, ou
seja, a percepção da boa-forma.
O exemplo da figura 5 ilustra a noção
de boa-forma. Geralmente
percebemos o segmento de reta a maior
que o segmento de reta b, mas,
na realidade, isso é uma ilusão de
ótica, já que ambos são idênticos.
A maneira como se distribuem os
elementos que compõem as
duas figuras não apresenta equilíbrio,
simetria, estabilidade e
simplicidade suficientes para
garantir a boa-forma, isto é, para
superar a ilusão de ótica.
A tendência da nossa
percepção em buscar a boaforma
permitirá a relação figurafundo.
Quanto mais clara estiver
a forma (boa-forma), mais clara
será a separação entre a figura e
o fundo. Quando isso não ocorre,
torna-se difícil distinguir o que é
O que temos aqui? Uma taça ou
dois perfis? A figura
ambígua não oferece uma clara
distinção figurafundo.
figura e o que é fundo, como é o caso
da figura 6. Nessa figura ambígua,
fundo e figura substituem-se,
dependendo da percepção de quem os
olha. Faça o teste: é possível ver a
taça e os perfis ao mesmo tempo?
[pg. 62]
MEIO
GEOGRÁFICO
E MEIO
COMPORTAMENTAL
O comportamento é determinado pela
percepção do estímulo e,
portanto, estará submetido à lei da
boa-forma. O conjunto de estímulos
determinantes do comportamento
(lembre-se da visão global dos
gestaltistas) é denominado meio ou
meio ambiental São conhecidos
dois tipos de meio: o geográfico e o
comporta mental.
O meio geográfico é o meio
enquanto tal, o meio físico em termos
objetivos. O meio comportamental é
o meio resultante da interação do
indivíduo com o meio físico e implica
a interpretação desse meio através
das forças que regem a percepção
(equilíbrio, simetria, estabilidade e
simplicidade). No exemplo, a pessoa
que cumprimentamos era um
desconhecido — esse deveria ser o dado
percebido, se só tivéssemos
acesso ao meio geográfico. Ocorre que,
no momento em que vimos a
pessoa, a situação (encontro casual no
trânsito em movimento, por
exemplo) levou-nos a uma interpretação
diferente da realidade, e
acabamos por confundi-la com uma
pessoa conhecida. Esta particular
interpretação do meio, onde o que
percebemos agora é uma “realidade”
subjetiva, particular, criada pela nossa
mente, é o meio comportamental.
Naturalmente, o comportamento é
desencadeado pela percepção do
meio comportamental.
Certamente, a semelhança entre as duas
pessoas do exemplo (a
que vimos e a que conhecemos) foi a
causa do engano. Nesse caso,
houve uma tendência a estabelecer a
unidade das semelhanças entre as
duas pessoas, mais que as suas
diferenças. Essa tendência a “juntar” os
elementos é o que a Gestalt denomina
de força do campo psicológico.
CAMPO PSICOLÓGICO
O campo psicológico é entendido
como um campo de força que
nos leva a procurar a boa-forma.
Funciona figurativamente como um
campo eletromagnético criado por um
ímã (a força de atração e
repulsão). Esse campo de força
psicológico tem uma tendência que
garante a busca da melhor forma
possível em situações que não estão
muito estruturadas. [pg. 63]
Esse processo ocorre de acordo com os
seguintes princípios:
1. Proximidade — os elementos mais
próximos tendem a ser
agrupados:
Vemos três colunas e não três linhas
na figura.
2. Semelhança — os elementos
semelhantes são agrupados:
Vemos três linhas e não quatro
colunas.
3. Fechamento — ocorre uma
tendência de completar os
elementos faltantes da figura para
garantir sua compreensão:
Vemos um triângulo e não alguns
traços.
INSIGHT
A Psicologia da Gestalt, diferentemente
do associacionismo
(capítulo 2), vê a aprendizagem como a
relação entre o todo e a parte,
onde o todo tem papel fundamental na
compreensão do objeto
percebido, enquanto as teorias de S-R
(Associacionismo, Behaviorismo)
acreditam que aprendemos estabelecendo
relações — dos objetos mais
simples para os mais complexos.
Exemplificando, é possível a
uma criança de 3 anos, que não
sabe ler, distinguir a logomarca de
um refrigerante e nomeá-lo
corretamente. Ela separou a
palavra na sua totalidade,
distinguindo a figura (palavra) e o fundo (figura
7). No caso, a criança não aprendeu [pg.
64] a ler a palavra juntando as
letras, como nos ensinaram, mas dando
significação ao todo.
Nem sempre as situações vividas por
nós apresentam-se de forma
tão clara que permita sua percepção
imediata. Essas situações dificultam
o processo de aprendizagem, porque não
permitem uma clara definição
da figura-fundo, impedindo a relação
parte/todo.
Acontece, às vezes, de estarmos
olhando para uma figura que não
tem sentido para nós e, de repente,
sem que tenhamos feito nenhum
esforço especial para isso, a relação
figura-fundo elucida-se.
A esse fenômeno a Gestalt dá o
nome de insight. O termo designa
uma compreensão imediata, enquanto uma
espécie de “entendimento
interno”.
A conhecida logomarca da
Coca-Cola é destacada
do fundo pela criança, que
identifica a figura como
se soubesse ler a palavra.
A TEORIA DE
CAMPO DE KURT LEWIN
Kurt Lewin (1890-1947) trabalhou
durante 10 anos com
Wertheimer, Koffka e Köhler na Universidade
de Berlim, e dessa
colaboração cora os pioneiros da Gestalt
nasceu a sua Teoria de
Campo. Entretanto não
podemos considerar Lewin como um gestaltista,
já que ele acaba seguindo um outro
rumo. Lewin parte da teoria da
Gestalt para construir um
conhecimento novo e genuíno. Ele abandona a
preocupação psicofisiológica (limiares
de percepção) da Gestalt, para
buscar na Física as bases
metodológicas de sua psicologia.
O principal conceito de Lewin é o do espaço
vital, que ele define
como “a totalidade dos fatos que
determinam o comportamento do
indivíduo num certo momento”2. O que
Lewin concebeu como campo
psicológico foi o espaço de vida
considerado dinamicamente, onde se
levam em conta não somente o indivíduo
e o meio, mas também a
totalidade dos fatos coexistentes e
mutuamente interdependentes.
Segundo Garcia-Roza, o “campo não
deve, porém, ser
compreendido como uma realidade
física, mas sim fenomênica. Não são
apenas os fatos físicos que produzem
efeitos sobre o comportamento. O
campo deve ser representado tal como
ele existe para o indivíduo em
questão, num determinado momento, e
não como ele é em si. Para a
constituição desse campo, as amizades,
os objetivos conscientes e
inconscientes, os sonhos e os medos
são tão essenciais como qualquer
ambiente físico”3. [pg. 65]
A realidade fenomênica em Lewin
pode ser compreendida como
o meio comportamental da Gestalt, ou
seja, a maneira particular como o
indivíduo interpreta uma determinada
situação. Entretanto, para Lewin,
esse conceito não está se referindo
apenas à percepção (enquanto
fenômeno psicofisiológico), mas também
a características de
2 L. A. Garcia-Roza. Psicologia
estrutural em Kurt Lewin. p. 45.
3 Kurt Lewin. Behaviour and
development as a function of a total situation in Carmichael (ed.), Manual
of
child
psychology. Apud
L. A. Garcia-Roza. Op. cit. p. 136.
personalidade do indivíduo, a
componentes emocionais ligados ao grupo
e à própria situação vivida, assim
como a situações passadas e que
estejam ligadas ao acontecimento, na
forma em que são representadas
no espaço de vida atual do indivíduo.
Como exemplo de campo psicológico e
espaço vital, contaremos
um breve encontro:
Um rapaz, ao
chegar a sua casa, surpreende os pais num final de conversa e
escuta o
seguinte: “Ele chegou, é melhor não falarmos disso agora”. Ele entende
que os pais
conversavam sobre um problema muito sério, de que ele não deveria
tomar
conhecimento. Resolve não fazer nenhum comentário sobre o assunto.
Dias depois,
chegando novamente em casa, encontra seus pais na sala com dois
homens em
ternos escuros. Imediatamente, associa esses homens ao final da
conversa
escutada e entende que eles, de alguma forma, estariam relacionados
às
preocupações dos pais.
Ocorre que a conversa referia-se a uma
surpresa que os pais
preparavam para o seu aniversário, e
os dois homens eram antigos
colegas de faculdade de seu pai, que
aproveitavam a passagem pela
cidade para fazer uma visita ao colega
que há tanto tempo não viam.
Nessa história, o campo psicológico é
representado pelas “linhas
de força” (como no campo da
eletromagnética), que “atraem” a
percepção e lhe dão significado. O
rapaz interpretou a situação pelo seu
aspecto fenomênico e não pelo que
ocorria de fato. A sua interpretação
ganhou consistência com a visita de
duas pessoas que ele não conhecia
e, nesse sentido, as linhas de força
estavam fazendo um corte no tempo.
Isso foi possível porque o rapaz havia
memorizado a situação anterior e
a ela associado a seguinte. A partir
da experiência anterior, a nova
ganhou significado. O espaço vital
esteve representado pela situação
mais imediata, que determinou o
comportamento. Foi o caso do rapaz
quando surpreendeu os pais conversando
e procurou fingir que nada
havia escutado ou a surpresa ao
encontrar aqueles homens na sua casa.
O entendimento desse espaço vital
depende diretamente do campo
psicológico.
Como Lewin considerava que o
comportamento deve ser visto em
sua totalidade, não demorou muito para
chegar ao conceito de grupo.
Praticamente todos os momentos de
nossas vidas se dão no interior de
grupos. Segundo Lewin, a
característica essencialmente definidora do
grupo é a interdependência de seus
membros. [pg. 66] Isto significa que
o grupo, para ele, não é a soma das
características de seus membros,
mas algo novo, resultante dos
processos que ali ocorrem. Assim, a
mudança de um membro no grupo pode
alterar completamente a
dinâmica deste. Lewin deu muita ênfase
ao pequeno grupo, por
considerar que a Psicologia ainda não
possui instrumental suficiente para
o estudo de grandes massas.
Transportando a noção de campo
psicológico para a Psicologia
social, Lewin criou o conceito de campo
social, formado pelo grupo e
seu ambiente. Outra característica do
grupo é o clima social, onde uma
liderança autocrática, democrática ou laissez-faire
irá determinar o
desempenho do grupo (veja capítulo
15). Através de um minucioso
trabalho experimental, Lewin pesquisou
a dinâmica grupal e foi, sem
dúvida alguma, um dos psicólogos que
mais contribuições trouxeram
para a área da Psicologia,
contribuições que estão presentes até hoje,
embasando as teorias e as técnicas de trabalho com os
grupos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário